Não consigo conceber
o poema sem rima
(sou levado a crer
que lhe falta anima)
A poesia, quer-me parecer,
é elegante como a esgrima,
fogo que arde sem se ver
mas... sem rima?!?
Gostava pois de entender
essa arte que não me ilumina;
escrever só por escrever?
Não, não me fascina.
quarta-feira, 15 de abril de 2009
quarta-feira, 8 de abril de 2009
Quando
Quando eu morrer
e mais ninguém souber de mim
não quero mais flores
nem prantos, nem dores
ou dos jasmins opiáceos odores
preferia, de facto, que fosse assim
Quando eu enviuvar
e outra vez ficar só
não quero palavras de consolo
nem tão pouco o meu neto ao colo
como pude ser tão tolo
que julgasse nunca me tornar pó?
Quando eu casar
e na nave disser "Sim!"
diz "Sim!" também, meu amor,
que a vida a sós é estupor
combatamos, pois, o langor
eu junto a ti, tu junto a mim
Quando, por fim, eu nascer
leva-me para junto de ti
enterra os meus ossos bem fundo
infante parto deste mundo
não chores, meu bem, a vida é um segundo
e esta que passou já eu vivi.
e mais ninguém souber de mim
não quero mais flores
nem prantos, nem dores
ou dos jasmins opiáceos odores
preferia, de facto, que fosse assim
Quando eu enviuvar
e outra vez ficar só
não quero palavras de consolo
nem tão pouco o meu neto ao colo
como pude ser tão tolo
que julgasse nunca me tornar pó?
Quando eu casar
e na nave disser "Sim!"
diz "Sim!" também, meu amor,
que a vida a sós é estupor
combatamos, pois, o langor
eu junto a ti, tu junto a mim
Quando, por fim, eu nascer
leva-me para junto de ti
enterra os meus ossos bem fundo
infante parto deste mundo
não chores, meu bem, a vida é um segundo
e esta que passou já eu vivi.
quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009
Feminina
Quando a brisa que precede o beijo,
qual bailarina envolta em segredos,
dança ao de leve e cala arremedos
próprios de quem na alma tem desejo
aparece do nada como um sinal
a profetizar o ósculo certo
de duas bocas em estado terminal
doentes por não estarem mais perto
Ah! Essa brisa que as fadas outonais
oferecem às mulheres, como madrigais,
na noite fria pelos campos gelados
desperta a mente de desejo toldada,
lembrando uma súplica à noite entoada
com os sentidos abertos e os olhos fechados.
Coimbra, 10/09/2005
qual bailarina envolta em segredos,
dança ao de leve e cala arremedos
próprios de quem na alma tem desejo
aparece do nada como um sinal
a profetizar o ósculo certo
de duas bocas em estado terminal
doentes por não estarem mais perto
Ah! Essa brisa que as fadas outonais
oferecem às mulheres, como madrigais,
na noite fria pelos campos gelados
desperta a mente de desejo toldada,
lembrando uma súplica à noite entoada
com os sentidos abertos e os olhos fechados.
Coimbra, 10/09/2005
quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009
O mal
O mal que me aflige e devora
é tratar o papel e a pena por "tu":
o papel faz-me sentir nu por fora
e a pena, por dentro, faz-me sentir nu
Não ouso dizer aquilo que adivinho;
as palavras mais belas, essas, guardei-as
num antigo e infindável pergaminho
escrito com a tinta que corre nas veias.
Mas sinto tristeza por não ter o porte
para ser homem mais uno, mais alto, mais forte,
para dizer ao mundo num brado intenso
que a minha pena, brava, ninguém cala,
e que escrevo no papel como quem fala
ao invés de falar tudo aquilo que penso.
Coimbra, 26/12/2005
é tratar o papel e a pena por "tu":
o papel faz-me sentir nu por fora
e a pena, por dentro, faz-me sentir nu
Não ouso dizer aquilo que adivinho;
as palavras mais belas, essas, guardei-as
num antigo e infindável pergaminho
escrito com a tinta que corre nas veias.
Mas sinto tristeza por não ter o porte
para ser homem mais uno, mais alto, mais forte,
para dizer ao mundo num brado intenso
que a minha pena, brava, ninguém cala,
e que escrevo no papel como quem fala
ao invés de falar tudo aquilo que penso.
Coimbra, 26/12/2005
Paradoxo
Amar mas não ser amado
ser amada mas não amar
vi isto em qualquer lado
num qualquer outro lugar
Não querer o que se tem
querer o que não se pode ter
nada disto parece bem
mas é vulgar acontecer
O paradoxo, então, é este:
é tudo uma contradição
quando o cérebro está a leste
ou quando pensa o coração.
Coimbra, 27/11/2005
ser amada mas não amar
vi isto em qualquer lado
num qualquer outro lugar
Não querer o que se tem
querer o que não se pode ter
nada disto parece bem
mas é vulgar acontecer
O paradoxo, então, é este:
é tudo uma contradição
quando o cérebro está a leste
ou quando pensa o coração.
Coimbra, 27/11/2005
Obliteração
Não te pedi o mundo em troca
quando os meus lábios, em tom carnal,
trocaram segredos com a tua boca...
...não importa... deixa, não faz mal.
Porque nem o dia a noite invoca,
nem o doce conjura o sal;
assim somos nós: uma ideia louca
onde não existe nós, mas "cada qual".
E nesses instantes em que me atormento,
em que fica turvo o pensamento,
em que toda a esperança se vai
a minha alma fica um poço exaurido
que de tanto dele terem extraído
nada, mas mais nada sai.
Coimbra, 15/02/2006
quando os meus lábios, em tom carnal,
trocaram segredos com a tua boca...
...não importa... deixa, não faz mal.
Porque nem o dia a noite invoca,
nem o doce conjura o sal;
assim somos nós: uma ideia louca
onde não existe nós, mas "cada qual".
E nesses instantes em que me atormento,
em que fica turvo o pensamento,
em que toda a esperança se vai
a minha alma fica um poço exaurido
que de tanto dele terem extraído
nada, mas mais nada sai.
Coimbra, 15/02/2006
Só
Encontro na urbe e no seu imo imerso
em sombras, frio, sujidade e pó
o eu interior, que como pó disperso
se dispersa entre a vasta turba, só.
Só entre mares de gente sem rumo,
cordeiros que não pressentem o alerta
de viver à deriva, ao acaso, como fumo
de forma indistinta, vaga e incerta.
Queria ser o homem (no meio de ninguém)
que um dia, cansado, quis ser alguém
entre tantos casulos desprovidos de almas
Homem cujos olhos pudessem brilhar
quando fixos na visão singular
de homens como ele batendo-lhe palmas.
Coimbra, 27/11/2006
em sombras, frio, sujidade e pó
o eu interior, que como pó disperso
se dispersa entre a vasta turba, só.
Só entre mares de gente sem rumo,
cordeiros que não pressentem o alerta
de viver à deriva, ao acaso, como fumo
de forma indistinta, vaga e incerta.
Queria ser o homem (no meio de ninguém)
que um dia, cansado, quis ser alguém
entre tantos casulos desprovidos de almas
Homem cujos olhos pudessem brilhar
quando fixos na visão singular
de homens como ele batendo-lhe palmas.
Coimbra, 27/11/2006
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